
O governo do Irã anunciou, nesta segunda-feira (2), o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer navio que tentar atravessar a rota poderá ser atacado. O comunicado foi feito pela Guarda Revolucionária iraniana como retaliação à morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel.
O estreito liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e o próprio Irã utilizam a rota para exportação.
Segundo o economista Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), qualquer interrupção prolongada provocaria um choque imediato nos preços do petróleo.
A primeira consequência seria a disparada do barril no mercado internacional, analistas projetam que os preços possam atingir US$ 100 nas próximas semanas. O petróleo influencia diretamente cadeias produtivas globais, como transporte, indústria e produção de alimentos.
Com isso, o aumento da energia rapidamente se transforma em inflação global. Fretes ficam mais caros, insumos sobem e o custo final é repassado ao consumidor.
Países altamente dependentes da importação de energia, especialmente na Ásia e na Europa, seriam os mais afetados.
Além da pressão inflacionária, o bloqueio tende a gerar forte reação nos mercados financeiros. Investidores costumam buscar ativos considerados mais seguros, como o ouro, enquanto bolsas de valores podem registrar quedas expressivas.
Especialistas avaliam que moedas de países emergentes podem sofrer desvalorização, com saída de capital estrangeiro. Ainda assim, parte do mercado demonstra cautela, argumentando que o excesso de liquidez global pode amortecer parte dos efeitos no câmbio.
O impacto não se restringe ao petróleo. Uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) exportado pelo Golfo, especialmente do Catar, maior exportador mundial, também passa pelo Estreito de Ormuz.
Qualquer interrupção pressiona os preços no mercado spot e eleva os custos de energia, principalmente na Europa e na Ásia.
Especialistas consideram pouco provável um bloqueio prolongado. Um fechamento duradouro exigiria enfrentamento direto com forças internacionais, possivelmente lideradas pelos Estados Unidos.
Além disso, grande parte do petróleo que atravessa o estreito abastece a Ásia, sobretudo a China, parceira estratégica de Teerã. Um bloqueio prolongado poderia contrariar interesses econômicos centrais da própria região.
No curto prazo, porém, permanecem incertezas sobre logística, segurança marítima e duração do conflito — fatores decisivos para definir o tamanho do impacto na economia mundial.