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Cães estão sendo abatidos a tiros na zona rural de Alagoa Grande

Um dos animais sobreviveu e foi socorrido pela ong Ajude Anjos de Rua para o Hospital Veterinário da UFPB, em Areia

28/08/2021 às 20h43
Por: Valdemir Zilan
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Cães estão sendo abatidos a tiros na zona rural de Alagoa Grande

Cães abandonados e vivendo em situação de rua estão sendo mortos a tiros na zona rural do município de Alagoa Grande, cidade com cerca de 28,5 mil habitantes, localizada na Região do Brejo paraibano e distante a 103 quilômetros da capital, João Pessoa. Um dos animais sobreviveu e foi socorrido, nessa quarta-feira (25), pela ong de defesa animal Ajude Anjos de Rua.

"Um verdadeiro massacre. Nos últimos dias, três cães foram mortos e um sobreviveu", alerta a ativista da causa animal Fabíola Rezende, fundadora e presidente da ong Ajude Anjos de Rua. "A população da cidade está horrorizada, mas não denuncia a autoria das mortes por medo. As pessoas se sentem coagidas, ameaçadas", completa Fabíola.

Os crimes estão ocorrendo nas terras de uma propriedade rural de Alagoa Grande. Segundo os moradores das proximidades, o dono do local possui uma cadela de raça que, quando entra no período de cio, acaba atraindo vários cachorros que vivem pelas ruas da cidade. "E a pessoa não gosta disso e utiliza de uma arma para matar os cães a tiros. E, entre a população, o silêncio prevalece, por medo. Ninguém se atreve nem a fazer um boletim de ocorrência na delegacia", explica Fabíola.

Socorro

O último animal vítima de tiros na propriedade é um cão sem raça definida e já idoso, aparentando ter mais de dez anos de vida, que acabou sobrevivendo. O crime ocorreu no último domingo (22) e o cão foi atingido na região do tórax, próximo à coluna cervical. "Guerreiro" (como foi batizado assim que foi acolhido e adotado por uma moradora de Alagoa Grande) ficou agonizando por três dias numa área alagada da propriedade do atirador.

Ele foi localizado por um rapaz (Jonas) que estava pescando próximo ao local, atraído pelo "choro" e grunhidos de dor do animal. Ele acolheu o animal e acionou o Ajude Anjos de Rua, em João Pessoa. "Fomos para Alagoa Grande na manhã dessa quarta-feira, resgatamos o bichinho e o socorremos para o Hospital Veterinário em Areia", informa Fabíola Rezende.

O Hospital Universitário Veterinário (HUVet) está localizado no Centro de Ciências Agrárias (CCA), do campus II da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na cidade de Areia, município vizinho a Alagoa Grande. "Fomos muito bem acolhidos pela equipe do hospital e a doutora Sandy (médica veterinária) salvou a vida de 'Guerreiro'. O local é um hospital excelente, com uma equipe espetacular", elogia Fabíola Rezende.

"Guerreiro" passou por ultrassom e raio-x; e a cirurgia no animal para a retirada da bala (um projetil de calibre 22) durou mais de três horas. Agora, ele se recupera na casa de sua "nova dona" em Alagoa Grande, mas corre o risco de não voltar a andar. "A doutora disse que ainda não há como afirmar, mas 'Guerreiro' corre o risco de ficar paralítico, caso houve lesão na coluna dele", lamenta a presidente da ong Ajude Anjos de Rua.

Novo lar

As mortes dos cachorros e principalmente o caso de "Guerreiro" acabaram comovendo boa parte da população de Alagoa Grande. Penalizada com a história, Dona Cícera, uma senhora humilde que reside numa casa com o marido e dois filhos, apresentou-se e acolheu o cão baleado. Agora, depois de viver nas ruas da cidade e sobreviver ao tiro, "Guerreiro" tem um lar.

"Dona Cícera é uma pessoa muito boa e tem amor pelos animais. A nossa ong está arcando com os medicamentos, fraldas e ração para que ela tenha condições de cuidar do animal. É uma família com poucos recursos, mas que abraçou a causa", explica Fabíola Rezende, informando que nas redes sociais muita gente quer ajudar. "Quem quiser colaborar, pode nos acessar no Instagram (@ajudeanjosderua e @fabiolarezende_protetora)".

A ong Ajude Anjos de Rua, criada em novembro de 2015, atua na Região Metropolitana de João Pessoa (e no interior do estado em alguns casos) e hoje congrega milhares de seguidores nas redes sociais, com a atuação e apoio de voluntários da causa animal, e seu foco está no resgate de animais em situação de rua vítimas do abandono e dos maus tratos.

O hospital

O Hospital Universitário Veterinário (HUVet), na cidade de Areia, faz parte de uma rede de 42 hospitais veterinário universitários e está entre os cinco maiores do Nordeste. A unidade dispõe de emergência com triagem e oferta os serviços gratuitos de cirurgia, radiologia, ultrassonografia, histopatologia, oftalmologia e necropsia, inclusive para animais silvestres.

As consultas geralmente são agendadas nos dias 10 e 28 de cada mês, para animais de pequeno porte. O atendimento aos de grande porte, como cavalos e vacas, é sempre por ordem de chegada. É necessário apresentar a documentação do animal. Atualmente, o hospital tem capacidade de atender entre 35 a 40 animais por dia, das 7h às 12h e das 13h às 17h.

Além dos atendimentos, o HUVet serve de campo para ensino de estudantes dos Cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia e dos programas de residência veterinária. Mais informações pelos telefones (83) 3362-1844 e (83) 98822-5573.

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