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Trabalhadores da construção civil paralisam atividades em João Pessoa contra anulação da LUOS

Trabalhadores do setor da construção civil em João Pessoa paralisaram

Redação
Por: Redação Fonte: pbhoje
15/01/2026 às 07h20
Trabalhadores da construção civil paralisam atividades em João Pessoa contra anulação da LUOS

Trabalhadores do setor da construção civil em João Pessoa paralisaram as atividades desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (14) em protesto contra a anulação da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). A mobilização é organizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP) e reúne operários, empresários e representantes do setor.

O ato ocorre após o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) declarar, em dezembro de 2025, a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 166/2024, que trata do zoneamento, uso e ocupação do solo no município. A decisão atendeu a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

De acordo com o presidente do Sinduscon-JP, Ozaes Mangueira, a anulação da norma tem provocado impactos diretos sobre o setor produtivo e pode resultar em demissões em massa. Segundo ele, a insegurança jurídica afeta não apenas as empresas da construção civil, mas também o comércio e o setor financeiro.

“Quando acontece uma decisão desse tipo, as empresas acabam tendo que reduzir o quadro de funcionários, e quem mais sofre é o trabalhador”, afirmou.

A Lei de Uso e Ocupação do Solo foi questionada pelo Ministério Público sob a alegação de irregularidades no processo legislativo e de flexibilização indevida das regras ambientais, especialmente na zona costeira da capital. A norma regulamentava dispositivos do novo Plano Diretor de João Pessoa, aprovado pela Lei Complementar nº 164/2024, incluindo os limites de altura das edificações em áreas próximas à orla.

No julgamento realizado em 10 de dezembro, o Órgão Especial do TJPB entendeu que a LUOS contrariava a Constituição Estadual, que estabelece regras mais rígidas para construções na faixa de até 500 metros a partir da linha da preamar. Para o Ministério Público, a legislação municipal representava um retrocesso na proteção ambiental ao permitir edificações mais altas na zona costeira.

A ação foi instruída com um relatório técnico elaborado pelo Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio do Laboratório de Topografia (LABTOP). O estudo comparou os parâmetros da LUOS de 2024 com os do Decreto Municipal nº 9.718/2021 e concluiu que a nova legislação era menos restritiva.

Segundo o relatório, a flexibilização poderia provocar impactos como sombreamento excessivo, prejuízos à fauna e à flora, alterações nos ciclos naturais de aves e animais marinhos, além de comprometer a ventilação costeira e a estabilidade da faixa litorânea.

Com a paralisação, o setor da construção civil cobra uma solução que garanta segurança jurídica e evite prejuízos econômicos e sociais. O Sinduscon-JP defende a abertura de diálogo entre o poder público, o Judiciário e os representantes do setor para buscar alternativas que conciliem desenvolvimento urbano, proteção ambiental e manutenção dos empregos na capital paraibana.

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