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Grupo Globo demite executivo após revelação de conversas e relação inadequada com Daniel Vorcaro

 



Por Jornal da Cidade Online


São Paulo / Rio de Janeiro — O Grupo Globo anunciou a demissão de Frederic Kachar, que atuava como diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio (incluindo a gestão da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio). A saída do alto executivo ocorre após a repercussão de mensagens vazadas que revelaram uma relação de proximidade e trocas de pedidos com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do caso Banco Master.

Por meio de nota oficial, a emissora classificou a conduta e o vínculo como uma "relação inadequada", pontuando o desligamento após 29 anos de dedicação do executivo à empresa.
Cobranças sobre coberturas jornalísticas

De acordo com o material vindo à tona a partir de investigações e apurações jornalísticas, as conversas entre Vorcaro e Kachar incluíam cobranças diretas por parte do banqueiro em relação a reportagens publicadas por veículos do grupo.

Vorcaro demonstrou insatisfação com apurações conduzidas por jornalistas e colunistas — incluindo menções ao trabalho da repórter Malu Gaspar (de O Globo e da Globonews) e a análises econômicas publicadas pelo jornal Valor Econômico. O banqueiro chegou a reclamar do tom de matérias críticas sobre as negociações e operações envolvendo o Banco Master.

Apesar das pressões do banqueiro, os registros mostram que Frederic Kachar defendeu a autonomia profissional dos jornalistas e ressaltou que a linha editorial e as apurações dos veículos do grupo mantinham independência. Não há indícios nas conversas de que as cobranças tenham resultado em censura direta ou na retirada de conteúdos do ar.
Interesses comerciais e repercussão

Além das discussões sobre o noticiário político e econômico, os diálogos apontaram conexões envolvendo pedidos institucionais e comerciais, além de trânsito em eventos de convivência.

Em seu comunicado sobre o desligamento, a Editora Globo reforçou seu compromisso histórico com a ética, a transparência e a independência de seu jornalismo. A empresa destacou que a postura crítica e isenta adotada na cobertura aprofundada do "Caso Master" é a prova cabal do respeito inegociável aos princípios editoriais do conglomerado.

O substituto de Frederic Kachar à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio deverá ser anunciado pela companhia nos próximos dias.

Fonte principal: Cobertura jornalística integrada e notas oficiais divulgadas pelo Grupo Globo e veículos de imprensa em outubro de 2026.

“Missão dada é missão cumprida”... Qual a próxima “missão”?


Por Luiz Holanda
A polêmica das "missões": Ministro Benedito Gonçalves no centro de novos questionamentos

Brasília — As recentes decisões do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atual Corregedor Nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, voltaram a agitar os bastidores políticos e jurídicos do país. Conhecido pela célebre frase "missão dada é missão cumprida", o magistrado agora enfrenta críticas e questionamentos sobre sua imparcialidade.

O foco da controvérsia atual envolve a mudança repentina de postura de Gonçalves em processos relacionados ao Banco Master, gerido pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Anteriormente, o ministro havia se declarado impedido de julgar ações ligadas à instituição. No entanto, recentemente, ele proferiu liminares que cancelaram o pagamento de precatórios bilionários associados ao banco, surpreendendo especialistas e partes envolvidas.

A situação ganhou novos contornos após informações de que mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicariam uma relação de proximidade entre o ministro e o banqueiro Vorcaro. Para críticos e opositores, a quebra do próprio impedimento e a decisão favorável levantam dúvidas sobre as motivações jurídicas do caso.

No Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde ocupa a cadeira máxima de fiscalização de magistrados, a atuação de Gonçalves segue sob o escrutínio público. Nos bastidores, a oposição política questiona se as recentes movimentações no STJ seriam o cumprimento de uma nova "missão" — em alusão à sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando relatou as ações que culminaram na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ricardo Porto, Aluízio Bezerra e Oswaldo Trigueiro foram eleitos, respectivamente, para os cargos de presidente, vice-presidente e corregedor de Justiça




Em sessão histórica, marcada pelo consenso e unidade, o Tribunal de Justiça da Paraíba elegeu - por aclamação - os novos dirigentes da Corte para o biênio 2027-2028. Foram eleitos os desembargadores José Ricardo Porto, para o cargo de presidente; Aluízio Bezerra Filho, vice-presidente; e Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, corregedor-geral de Justiça.




A eleição da nova Mesa Diretora do Tribunal aconteceu na manhã desta quarta-feira (14), durante a 5ª sessão extraordinária administrativa do Tribunal Pleno, conduzida pelo presidente do TJPB, desembargador Fred Coutinho. “É motivo de alegria e satisfação poder presidir uma eleição em que o consenso e a unidade prevaleceram. Isto é, os novos membros da corte, Ricardo Porto, presidente; Aluízio Bezerra, vice-presidente; e Oswaldo Trigueiro, corregedor foram eleitos por aclamação”, comentou o presidente.




Na mesma sessão, foram eleitos também os desembargadores Leandro dos Santos e Márcio Murilo da Cunha Ramos, respectivamente, para os cargos de diretor da Escola Superior da Magistratura da Paraíba (Esma-PB) e Ouvidor-Geral.




O presidente eleito, Ricardo Porto, expressou gratidão aos colegas desembargadores em discurso de agradecimento dirigido aos membros da Corte de Justiça, a magistrados(as), a servidores(as), procuradores e promotores de Justiça e advogados presentes à sessão.




“Há momentos na vida em que a emoção se sobrepõe às palavras. Esse é, sem dúvida, um desses momentos. Recebo a escolha dos meus pares para presidir o Tribunal de Justiça da Paraíba no biênio 2027-2028 com profunda alegria, gratidão e um elevado sentimento de responsabilidade”, declarou Ricardo Porto em seu discurso.




Defesa da Democracia




O desembargador Ricardo Porto destacou, também, em sua fala, o Estado Democrártico de Direito. “Estaremos sempre atentos à defesa da Democracia, da liberdade de pensamento, da liberdade de expressão e dos valores constitucionais que sustentam o Estado Democrátrico de Direito”, enfatizou o presidente eleito.




Saudações




O novo presidente, Ricardo Porto, assim como os demais membros da mesa diretora do Tribunal, foram saudados pelos desembargadores presentes à sessão. De igual modo, receberam felicitações do procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans; do juíz Gilberto Rodrigues, presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba AMPB; e do advogado Johnson Abrantes, representando a Ordem dos Advogados do Brasil. Ambos falaram da tribuna do Pleno.




Vice-presidente e corregedor




Após a escolha, por aclamação, os desembargador Aluízio Bezerra Filho (vice-presidente) e Oswaldo Trigueiro do Valle Filho (corregedor-geral de Justiça), assim se pronunciaram:




“É com profunda humildade e elevado senso de dever cumprido que me dirijo a este Egrégio Tribunal para expressar meu mais sincero agradecimento pela confiança em mim depositada, para exercer o cargo de vice-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba. À unanimidade desta eleição honra-me e renova minha responsabilidade perante esta Corte”, comentou Aluízio Bezerra.




O magistrado disse que “buscar um Judiciário eficiente significa dar continuidade aos expressivos avanços e ao processo de modernização impulsionados pela atual gestão do presidente do Tribunal, desembargador Fred Coutinho”.




Por sua vez, Oswaldo Trigueiro destacou o trabalho da atual Mesa Diretora do TJPB e a disposição do presidente Fred Coutinho em manter a união e harmonia do Tribunal. “Desde a semana, o presidente iniciou uma rotina de conversar com cada desembargador e cada desembargadora e manteve uma conversa sobre o significado e importância dessa união. Estou aqui há 12 anos e é a primeira vez que vejo esse tipo de movimento, que traz leveza e tranquilidade. Dizer que nosso trabalho será voltado, basicamente, para sociedade paraibana”, pontuou.




O futuro corregedor-geral de Justiça ainda destacou o trabalho desenvolvido pelo vice-presidente do Tribunal, desembargador João Batista Barbosa. “Além de um magistrado vocacionado, é uma pessoa que abre os caminhos e facilita o trabalho de quem o procura. Quero parabenizar ao presidente desta Corte, por ter ao seu lado a competência e o equilíbrio de João Batista Barbosa”, comentou.







Currículos




Clique aqui para acessar o currículo do desembargador José Ricardo Porto.

Acesso o currículo de Aluízio Bezerra Filho e o currículo de Oswaldo Oswaldo Trigueiro do Valle Filho.




Por Valter Nogueira

Fotos: Ednaldo Araújo

Prefeitura de Alhandra realiza audiência pública da LOA 2027 com prestação de contas e apresentação de metas para o próximo ano




Encontro aconteceu na noite desta quarta-feira (14), na Câmara Municipal, e reuniu representantes dos poderes Executivo e Legislativo, secretários municipais e população para apresentar os avanços de 2026, discutir investimentos e anunciar novos projetos para o município.

A Prefeitura Municipal de Alhandra realizou, na noite desta quarta-feira (14), na Câmara Municipal, a audiência pública da Lei Orçamentária Anual (LOA) 2027. O encontro teve como objetivo apresentar à população o planejamento orçamentário do município para o próximo ano, promover a transparência na aplicação dos recursos públicos e ampliar o diálogo entre a gestão municipal, o Poder Legislativo e a sociedade.

A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Irmão Beto, que destacou a importância da audiência pública como espaço de participação popular e diálogo entre os poderes Executivo e Legislativo. Segundo ele, a iniciativa permite que a população apresente suas necessidades e participe diretamente das discussões sobre o futuro do município. “É importante que o Poder Executivo abra as portas para ouvir a população e dê oportunidade para que todos possam se manifestar. Nós, como porta-vozes do povo, apresentamos as solicitações e vamos acompanhar, junto ao Executivo, para que essas demandas não fiquem apenas no papel, mas se transformem em ações que beneficiem quem mais precisa”, destacou o presidente da Câmara, vereador Irmão Beto.

Na sequência, Sérgio Guimarães, consultor orçamentário da Prefeitura, apresentou informações relacionadas ao planejamento orçamentário municipal e à elaboração da LOA 2027, instrumento que estabelece a previsão de receitas e fixa as despesas públicas para o exercício financeiro seguinte. Durante sua apresentação, ele ressaltou a importância da organização estratégica e financeira para garantir a continuidade das ações da administração municipal, considerando tanto a conclusão dos projetos em andamento quanto a inclusão de novas iniciativas.

“Os projetos que já estão acontecendo vão sendo finalizados, enquanto outros vão entrando no planejamento. Existe toda uma estratégia para manter essa sequência e garantir a continuidade das ações. Estamos organizando a parte de planejamento e finanças de Alhandra para viabilizar esses projetos”, explicou Sérgio Guimarães.

O prefeito Marcelo Rodrigues também participou da audiência e destacou os investimentos em infraestrutura e os avanços que estão sendo realizados no município, a exemplo da construção da nova sede da Prefeitura de Alhandra, do Mercado Público Municipal e do Centro Multiprofissional para Crianças Neurodivergentes. Durante sua apresentação, o gestor também anunciou a previsão de início, em breve, da construção de um ginásio poliesportivo com capacidade para 1.500 pessoas, ampliando a infraestrutura destinada à prática esportiva e à realização de eventos no município.

O prefeito ressaltou ainda a satisfação de acompanhar as apresentações dos secretários municipais, que compartilharam os resultados alcançados em suas respectivas pastas ao longo de 2026, além das metas e dos projetos previstos para 2027. Marcelo Rodrigues também destacou a importância de ouvir as demandas da população e das secretarias municipais para definir as prioridades da gestão, lembrando que propostas apresentadas na audiência do ano anterior já estão em diferentes etapas de desenvolvimento.

“No ano passado, estivemos aqui ouvindo as propostas. Algumas delas já estão em execução e outras estão em fase de projeto. Agora, recebemos mais uma vez as demandas da população, dos secretários e do povo alhandrense para 2027. Cada solicitação foi ouvida com muito carinho e atenção, porque cada uma representa uma necessidade da nossa população”, afirmou o prefeito Marcelo Rodrigues.

Um dos principais momentos da audiência foi a apresentação dos secretários municipais, que realizaram um balanço das ações, serviços, projetos e investimentos desenvolvidos por suas respectivas pastas ao longo de 2026. Além da prestação de contas das atividades executadas até o momento, cada secretaria apresentou seu planejamento para 2027, destacando as metas, os desafios e as prioridades para o próximo exercício.

As apresentações contemplaram diferentes áreas da administração municipal, permitindo uma visão integrada das ações desenvolvidas pela Prefeitura e das perspectivas para o próximo ano. O momento também reforçou a importância do planejamento conjunto entre as secretarias para a organização dos serviços públicos e a definição dos investimentos municipais.

Os vereadores presentes também participaram das discussões, apresentando contribuições e demandas relacionadas às necessidades da população. A participação do Poder Legislativo reforçou o diálogo institucional com o Executivo e a importância da construção conjunta de propostas voltadas ao desenvolvimento do município.

A audiência também abriu espaço para a participação popular, possibilitando que os moradores apresentassem sugestões, reivindicações e prioridades para o planejamento orçamentário de 2027. As contribuições integram o processo de discussão das ações e dos investimentos que deverão orientar a administração municipal no próximo exercício.

A Lei Orçamentária Anual é um dos principais instrumentos de planejamento da administração pública. Por meio dela, são estabelecidos os recursos destinados à manutenção dos serviços e à execução de políticas públicas em áreas como saúde, educação, infraestrutura, assistência social, agricultura, cultura, esporte e demais setores da gestão municipal.

Secom Alhandra











Marcelo Rodrigues diz que grupo político garantiu votação de Lucas Ribeiro em Alhandra e que oposição não votou no governador




Durante audiência pública sobre a LOA 2027, prefeito afirmou que a oposição não contribuiu para a votação do governador reeleito e defendeu mais oportunidades para o município na destinação de obras e recursos estaduais.




O prefeito de Alhandra, Marcelo Rodrigues, afirmou que seu grupo político foi o responsável pela votação do governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) no município. A declaração foi feita na noite desta quarta-feira (14), durante audiência pública na Câmara Municipal para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. O encontro reuniu vereadores, secretários municipais e moradores.




Em sua fala, Marcelo destacou que o resultado eleitoral fortaleceu a posição de seu grupo como aliado do Governo do Estado. Segundo o prefeito, essa relação deverá ser utilizada para ampliar a articulação por investimentos e obras para Alhandra. Ele também anunciou que pretende se reunir com Lucas Ribeiro para apresentar novas demandas do município.




“Foi o nosso grupo que votou no governador”, declarou Marcelo. Em seguida, o prefeito questionou a participação da oposição no resultado eleitoral e afirmou que o deputado estadual Branco Mendes, que faz oposição à sua gestão, não teria contribuído para a votação de Lucas Ribeiro na cidade, apesar de ter declarado apoio ao governador.




Prefeito diz que cobrará espaço para Alhandra




Marcelo afirmou que pretende levar a discussão ao governador e cobrar oportunidades para que o grupo político que o apoiou nas eleições também possa viabilizar investimentos para o município.




“Vou levar isso ao governador e vou exigir que a gente que votou nele precisamos ter oportunidade de, como aliado, trazer recursos e obras para nossa cidade”, disse o prefeito durante a audiência.




O gestor também ressaltou que, mesmo sem possibilidade de disputar uma nova reeleição, pretende continuar trabalhando pelo município. “Eu sou um prefeito que eu não tenho mais reeleição. Eu não posso ser mais reeleito. Mas isso não me dá o direito de não trabalhar por Alhandra”, afirmou.




Resultado eleitoral em Alhandra




No primeiro turno das eleições estaduais de 2026, Lucas Ribeiro recebeu 8.939 votos em Alhandra, o equivalente a 63,14% dos votos válidos, conforme os números apresentados para o município. Efraim Filho (PL) ficou em segundo lugar, com 4.279 votos (30,23%), enquanto Cícero Lucena (MDB) obteve 912 votos (6,44%).




Ao comentar o resultado, Marcelo afirmou que a campanha também demonstrou, em sua avaliação, a existência de uma representação política do município junto à Assembleia Legislativa. “O resultado da campanha me deixou muito satisfeito porque hoje nós temos de fato um deputado que representa Alhandra”, declarou, ao se referir ao deputado estadual Felipe Leitão, mais votado em Alhandra em 2026 com 6.130 votos. Todos os candidatos apoiados por Marcelo foram os mais votados no município




A declaração do prefeito coloca a votação de Lucas Ribeiro no município no centro da discussão sobre a relação entre governo estadual, base aliada e oposição. A expectativa, segundo Marcelo, é que a parceria política se traduza em novos investimentos e benefícios para a população de Alhandra.

Fim da escala 6×1: 75 votos a favor, um contra. Mas, o que realmente muda para o brasileiro?





Por Jayme Rizolli | Jornal da Cidade Online

15/10/2026 às 07:12

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma das mais importantes mudanças nas relações de trabalho dos últimos anos: o fim da tradicional escala 6×1, na qual milhões de brasileiros trabalham seis dias para descansar apenas um.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em maio e, como não sofreu alterações no Senado, segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.

Mas o que realmente muda na vida do trabalhador? Quando começa a valer? E como as empresas conseguirão se adaptar? Vamos explicar de maneira simples.

O QUE MUDA NA PRÁTICA?

Atualmente, a Constituição permite, como regra geral, jornadas de até 44 horas semanais, normalmente distribuídas por seis dias de trabalho. A nova proposta estabelece uma redução gradual para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

Mas atenção: a mudança não é imediata.

Primeira etapa: 60 dias após a promulgação, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais, com direito a duas folgas.


Segunda etapa: 12 meses depois dessa primeira mudança, a jornada será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

Portanto, serão necessários aproximadamente 14 meses após a promulgação para completar a transição. E outra informação importante: os dois dias de descanso não precisam ser, obrigatoriamente, sábado e domingo. Um deles deverá ser, preferencialmente, aos domingos.

O SALÁRIO SERÁ REDUZIDO?

Não. A proposta assegura a manutenção dos salários dos trabalhadores abrangidos pela nova regra, inclusive dos pisos salariais. Isso significa que quem trabalha atualmente 44 horas semanais deverá, ao final da transição, cumprir 40 horas sem sofrer redução de salário em razão da mudança.

Também estão previstas regras diferenciadas para determinadas atividades, como saúde, segurança, transporte e serviços essenciais, além de situações especiais envolvendo contratos terceirizados e profissionais de alta remuneração. Portanto, não se deve imaginar que todas as profissões passarão a funcionar exatamente da mesma maneira.

E QUEM VAI PAGAR ESSA CONTA?

Aqui encontramos o ponto mais delicado da mudança. Para milhões de trabalhadores, um dia adicional de descanso representa mais tempo com os filhos, com a família, para estudar ou simplesmente recuperar as energias.

Entretanto, para empresas que precisam funcionar diariamente, a redução das horas disponíveis de trabalho poderá exigir novas contratações, reorganização de turnos e aumento das despesas. Uma grande rede de supermercados poderá ter condições de reorganizar suas equipes. Mas e a pequena padaria da esquina? O restaurante familiar? A farmácia que funciona todos os dias? Quem assumirá os custos adicionais?

Representantes empresariais alertam para possíveis aumentos de preços e dificuldades para pequenos negócios. Já os defensores da mudança argumentam que trabalhadores mais descansados podem apresentar melhor produtividade e qualidade de vida. A PEC prevê a possibilidade de regras de adaptação para pequenos empreendimentos, mas sua aplicação ainda dependerá de medidas complementares.

E A PRESSA PARA APROVAR?

Embora a proposta tenha origem em 2019 e já viesse sendo discutida no Congresso, sua aprovação definitiva ocorreu apenas 11 dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. O governo Lula colocou o fim da escala 6×1 entre suas principais bandeiras. A oposição, embora tenha apresentado críticas ao texto e à oportunidade da votação, também participou de sua aprovação.

O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, votou favoravelmente. Hamilton Mourão foi o único voto contrário e classificou a iniciativa, no momento de sua votação, como eleitoreira. A proximidade das eleições naturalmente levanta questionamentos sobre o calendário político escolhido. Mas existe uma distinção necessária: a discussão sobre eventuais interesses eleitorais não elimina a importância das condições de trabalho de milhões de brasileiros.

A GRANDE RESPONSABILIDADE COMEÇA AGORA

A aprovação no Congresso representa uma etapa decisiva. Entretanto, uma votação expressiva não resolve automaticamente as dificuldades que poderão aparecer na prática. Será necessário acompanhar as adaptações, preservar os salários, fiscalizar o cumprimento das regras e avaliar os efeitos sobre os empregos e os preços ao consumidor.

Afinal, não basta garantir mais descanso se o trabalhador enfrentar dificuldades para manter seu emprego. Também não seria razoável preservar uma rotina excessivamente desgastante apenas porque a mudança exige planejamento das empresas. O Brasil precisa encontrar um equilíbrio entre a dignidade de quem trabalha e as condições de quem emprega.

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